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Quem sai prejudicada pela elevação da alíquota do IOF – Imposto sobre Operações Financeiras e da CSLL - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é a população trabalhadora. Veja a opinião de tributaristas e empresários.
Manaus, 5 de janeiro de 2008 – JORNAL A CRÍTICA
Mais pobres serão mais afetados, diz tributarista
Agência Brasil e Redação - Apesar de considerar o aumento de 0,38% no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), anunciado pelo Governo, constitucional, o tributarista Ives Gandra Martins se diz contrário à elevação do tributo. Para ele, as mudanças propostas pelo Governo vão afetar a camada mais pobre da população. "Vai atingir exatamente quem não tem dinheiro para comprar à vista e é obrigado a comprar a prazo. Vai atingir aqueles que têm necessidade de financiamento", avalia.
Gandra acredita que, com o aumento do IOF, o Governo pretende desaquecer a demanda, e, assim, evitar uma retomada inflacionária. Segundo o tributarista haverá uma redução da procura das compras à prestação. "Isso vai trazer uma certa redução do financiamento do crediário. Evidentemente que não vai terminar, mas vai haver uma redução das compras a prazo".CautelaO consumidor tem que ter cautela na tomada de novos financiamentos, principalmente aquelas pessoas que costumavam tirar empréstimos bancários com frequência. O alerta é do economista Martinho Azevedo, ao comentar os reflexos do "pacote" anunciado anteontem pelo Governo. A alíquota máxima do IOF estava em 1,5% ao ano. A medida estabelece um acréscimo de 0,38%. "Ficou mais caro pegar empréstimo", adverte o economista, acrescentando que é preciso cuidado com financiamentos de prazos longos.
O pacote, no entanto, não vai reduzir o consumo de imediato, na análise de Martinho Azevedo, mas as taxas bancárias devem subir, em virtude da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para o setor financeiro também ter sido elevada de 9% para 15% .Desconfiança
O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), José Azevedo, diz que as medidas deixaram o empresário desconfiado, além de frustrado, pois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia garantido que o fim da CPMF não ocasionaria aumento de impostos. "Em qualquer ambiente, se não há confiança no Governo, o empresário não investe", destaca ele, explicando que não fala só no empresário local, mas de maneira geral, já que vivemos num mundo globalizado. Para José Azevedo, ao invés de aumentar impostos, o Governo Federal deveria enxugar a máquina administrativa e aplicar bem os recursos públicos. O empresário prevê também que as taxas bancárias irão subir com o aumento da alíquota da CSLL para o setor financeiro.O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Maurício Loureiro, considera que houve "precipitação do Governo em realizar, neste início de ano, o aumento de alíquota do IOF e da CSLL", considerando que não haverá prejuízo algum com o fim da CPMF, pois há uma previsão de arrecadação em impostos de algo próximo a R$ 600 bilhões para 2008.
Analisando a situação sob a ótica estadual , Loureiro diz que não há influência direta no Pólo Industrial de Manaus (PIM), mas, de qualquer modo, as medidas tiram do bolso do brasileiro parte do que poderia gastar em bens e serviços.
sábado, 5 de janeiro de 2008
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